Monday, October 29, 2007

A Rua da Alegria tem menos buracos


No dia 1 de Outubro de 2007 - já quase no Outono - o "Primavera na Alegria" deu mais um passo em frente, aumentando a sua visibilidade junto da comunidade da Quinta da Serra.

Para os mais distraídos, que não tinham ainda prestado atenção aos trabalhos de limpeza da Rua da Alegria e em torno do Campo de Futebol, efectuados pela D. Maria de Lourdes Varela Gomes (colaboradora do GIA) e seus esforçados ajudantes (alguns dos membros mais jovens do GIA, crianças do bairro), este foi um sinal inconfundível de que algo estaria a mudar na Quinta da Serra.
A Câmara Municipal de Loures, em resposta a um velho desejo dos moradores, enviou um camião e alguns trabalhadores, que cobriram o piso da Rua da Alegria. As opiniões divergem quanto ao resultado destes trabalhos, mas trata-se, inegavelmente, de um bom sinal.
Texto:Catarina Camacho, in"gia-abolina.blogspot.com"
Fotos: À Bolina

A Arte do Contexto


Quando olho para o bairro, quando olho para as nossas crianças, para os nossos jovens procuro sempre perceber o que estamos a fazer.

A fecundidade da nossa acção e também a eficácia do nosso trabalho depende do rigor do diagnóstico. A miopia - ver bem unicamente as coisas que nos estão próximas - não nos ajuda a acertar no alvo. Circunscrever o diagnóstico ao bairro é um erro. Temos de olhar para a cidade, para a escola e procurar agir.

A escola deveria ser mais inclusiva do que é. O sistema de ensino e a organização que lhe está subjacente deveria estar de acordo com as necessidades especificas do seu público-alvo. Escolas em territórios habitados por imigrantes teriam de se adaptar às suas necessidades de integração e desenvolvimento e não o contrário. Muitas vezes os projectos como o nosso são vistos como uma maneira de ajustar as crianças e jovens a uma escola-tipo abstracta. No limite estes projectos são sítios para onde se mandam as crianças com as quais a escola não consegue lidar. Agir com as escolas para encontrar modelos e práticas mais inclusivas é seguramente uma das grandes tarefas do nosso projecto.

As oportunidades ao nível da educação, formação e das saidas profissionais dos jovens estão limitadas por um facto aparentemente menor. O nosso modelo de mobilidade urbana está baseado no automóvel e a nossa rede de transporte pública é pouco eficiente. No caso especifico do Prior Velho isso aplica-se por maioria de razão. O Junilto entra às 8.30 h na escola em Benfica sai de casa às 6:00 h da manhã correndo o risco de, se tudo correr bem, "ir para lá dormir" ou, se tudo correr mal, chegar atrasado! A "moda" actual de estar a tirar a carta de condução, quase todos os jovens maiores de 18 anos estão ou querem tirar a carta, reflecte isso mesmo.

Muitos dos hábitos de consumo dos jovens que são julgados duma maneira apressada uma inversão inexplicável de prioridades e.g. roupas de marca, "tecnoluxúria", etc. estão profundamente ligados a uma reacção a contextos exclusivos. Tirar a carta para, a seguir, ter um automóvel insere-se aí.

Quando olho para o bairro, quando olho para as nossas crianças, para os nossos jovens, emerge esta evidência de que as causas dos problemas não estão dentro mas fora do bairro.
Texto e foto: José da Costa Ramos, in "oquestamosafazer.blogspot.com"

Wednesday, October 24, 2007

Necessária mais mão de obra imigrante para 2008


O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) anunciou que em 2008 será necessária mais mão-de-obra imigrante. As principais razões encontradas pelo IEFP para se recorrer aos trabalhadores estrangeiros é a de que os portugueses não estão disponíveis para desempenhar determinadas tarefas e nem sempre reunem os requisitos exigidos pelas empresas. Às entidades patronais resta o recuso aos imigrantes que manifestam sempre o desejo de arranjar um emprego mesmo que precário.
Apesar de continuarem a entrar imigrantes no país todos os anos, há ainda postos de trabalho que ninguém quer ocupar, apesar das 440 mil pessoas que não encontram emprego. Só em 2007 o IEFP anulou 3101 ofertas de emprego devido ao desajustamento dos candidatos ou porque simplesmente não existiam pessoas aptas.
Estes dados são determinantes na medida em que assumem um papel importante para a definição do contingente para a admissão de trabalhadores imigrantes necessários para a realização de tarefas não sazonais previsto na nova lei da imigração.
Ainda que a lei preveja a prioridade aos trabalhadores portugueses no acesso ao emprego, o centro de emprego tem 30 dias para encontrar um desempregado que queira a vaga para o emprego. Muitas vezes isso não acontece e as empresas acabam por contratar no estrangeiro através dos meios legalmente previstos.
O IEFP revelou ainda que a carência de trabalhadores é mais evidente no sector da construção, nos hotéis e na restauração. Contudo as vagas que mais prevalecem nos centros de empregos ou para as quai não foram encontrados trabalhadores que queiram o emprego são na área da metalurgia, metalomecânica, operários e técnicos de nível intermédio.
Texto de Surraia Correia

Tuesday, October 23, 2007

História nº4: N'Tchanha

Ilustração: Ruben Oliveira
Era uma vez um homem que tinha duas mulheres e quando uma morreu a filha desta ficou com a madrasta e os seus irmãos. A madrasta não gostava dela e por isso obrigava-a a fazer todo o trabalho lá em casa enquanto as suas irmãs brincavam.
Certo dia em que a rapariga foi à fonte buscar água partiu a bilha. Quando voltou para a casa, contou à madrasta o que tinha sucedido e esta, furiosa, ralhou com ela dizendo-lhe que arranjasse uma outra bilha nem que para tal morresse tal como a sua mãe. Então a menina saiu à procura de uma mulher que costumava fazer bilhas para vender.
Pelo caminho, ia a cantar:
N´tchanha, n´tchanha.
Cilorabinta.
N´tchanha, n´tchanha.
Cilorabinta.
Ntchanha massacunda
Cilorabinta.
Ntchanha massacunda
Cilorabinta.
Tété té cilorabinta.
Tété té cilorabinta.

Enquanto ia a cantar encontrou um leão e perguntou-lhe se sabia onde era a casa da tal senhora. O leão disse-lhe para seguir o caminho em frente. Até que encontrou um macaco que lhe disse o mesmo e depois uma gazela que também disse para seguir aquele caminho.
A rapariga continuou a caminhar até encontrar uma senhora que tomava banho numa lagoa. A mulher pediu que lhe esfregasse as costas e quando o fez cortou-se toda nas mãos porque as costas da mulher eram de ostras. A senhora disse-lhe para bater as mãos na água. Assim fez e as feridas sararam.
A seguir a senhora disse à menina para ir para casa com ela, esmagar arroz, cozinhar e comer. Assim fez e a mulher, que era uma feiticeira serpente, disse-lhe que a iria transformar numa agulha e colocá-la em cima do telhado porque os filhos estavam a regressar da lagoa e poderiam comê-la.
Quando chegaram, os meninos comeram o arroz e quando começaram a sentir cheiro de pessoa humana disseram à mãe. Esta disfarçou dizendo que não havia ninguém em casa e mandou-os de novo para a lagoa.
A mulher voltou a transformar a menina em ser humano e deu-lhe três ovos. Disse-lhe que no caminho para casa deveria parti-los sempre no final de cada canção. Deveria cantar seis vezes cada uma e só no último ovo é que poderia olhar para trás.
Obediente, a rapariga fez tudo o que a feiticeira lhe disse e quando olhou para trás viu uma casa enorme, bonita e com muitas coisas. A rapariga pegou numa bilha, foi para casa e deu-a à madrasta.
Com raiva por ela ter conseguido voltar, trazendo uma bilha, a madrasta ficou cheia de ciúmes e resolveu mandar a sua filha fazer o mesmo caminho para ver se conseguia uma casa como a da sua meia-irmã.
Quando ela começou a fazer o mesmo percurso, encontrou uma serpente a tomar banho. Esta pediu-lhe que lhe esfregasse as costas mas a rapariga respondeu:
-O quê? Em casa não costumo esfregar as costas da minha mãe. Então porque é que haveria de esfregar as suas?
Pediu-lhe então para irem para casa, cozinhar arroz. A menina respondeu:
-O quê? Em casa não cozinho e nem faço nada.
Mais tarde, a feiticeira disse que ia transformá-la em agulha mas ela também não quis.
Como não conseguiu transformar a rapariga em agulha, a feiticeira escondeu-a atrás da porta para que os seus filhos não a comessem. Quando estes regressaram, comentaram com a mãe que sentiam cheiro de carne humana mas ela conseguiu enganá-los e voltaram para a lagoa.
Então a feiticeira deu três ovos para a rapariga e explicou-lhe o que fazer com elas enquanto voltava para casa. Teimosa como era, a moça não seguiu as recomendações e assim que foi lavar os pés na lagoa, foi imediatamente picada pelas serpentes e morreu.
Ilustração: Fábio Vieira

Esta história, tradicional da Guiné, foi-nos contada pelo nosso amigo Junilto Netchemo (ambuduco.blogspot.com), de 13 anos e chegado a Portugal em Dezembro de 2006 - ao mesmo tempo que nós chegámos ao Bairro da Quinta da Serra, onde o conhecemos.

Indira



A Indira tem talento. É óbvio. Acabou de entrar para a universidade e sabemos que um dia a arte dela será conhecida além do Bairro da Quinta da Serra. Estes são estudos que tem feito no âmbito da preparação da exposição no CNAI que o Alto Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural a convidou a fazer.

O Deserto Não Está em Nós


A ausência de mundo coloca-nos no deserto, mas o deserto não está em nós. A psicologia procura adaptar-nos ao deserto, retira-nos a faculdade de sofrer e a virtude de suportar. Suportando a paixão de sofrer no deserto criamos a coragem para agir, para nos transformarmos a nós próprios.

Os oásis não são lugares de descompressão mas fontes de vida, sem a dimensão de integridade dos oásis não saberiamos como respirar. Cito de memória "the promise of politics" de Hannah Arendt.

Recebemos no bairro 50 coordenadores de projectos escolhas , ontem terça feira 16 de Outubro para o Workshop de Mediação e Gestão de Conflitos.

A importância para o bairro do evento é indeterminável. A sensação, essa é a de um oásis. Não foi o projecto que acolheu o workshop, foi o bairro. Para quem está habituado ao bairro isso é intuitivo, mas podemos procurar evidências na maneira como muitas pessoas foram encaminhadas, no almoço, na curiosidade e alegria de muita gente.

O meu filho Francisco anda a estudar as baleias, e eu com ele. Fiquei a saber que as baleias tem duas formas de comunicação: as ondas curtas que permitem diálogos precisos entre seres e as ondas longas, que são usadas para enviar sinais e testemunhos de presença. A relação do bairro com os nossos companheiros dos outros projectos fez-se com ondas longas mas fez-se. Isso enche-nos de alegria.

Texto e fotos: José da Costa Ramos

Monday, October 22, 2007

Grafitti À Bolina

O grupo de jovens que está a dinamizar a criação de uma associação juvenil no Bairro da Quinta da Serra reuniu-se no espaço Polom para a criação do grafitti que se tornou o cartaz de apresentação do À Bolina.

Conhecer melhor o direito à saúde


Foi apresentado, no dia 25 de Setembro, o primeiro relatório de acesso à saúde pelos imigrantes elaborado pelos Médicos do Mundo a partir de estudos feitos em sete países europeus. Os resultados, apurados na Bélgica, Espanha, França, Grécia, Itália, Portugal e Reino Unido, sobre os imigrantes em situação irregular são únicos, uma vez que não existem estudos sobre este tipo de informação ao nível nacional e nem internacional.
Nesta primeira amostra focou-se os imigrantes e, em particular, os que se encontram em situação irregular. Foram ainda analisadas situações como a recusa de tratamentos, atraso no acesso aos cuidados de saúde e o facto de alguns imigrantes sentirem medo de serem detidos.
Com este relatório os Médicos do Mundo pretendem reclamar igual acesso aos cuidados de saúde para todos os que vivem na Europa e uma regulação do acesso à saúde para estrangeiros gravemente doentes que não têm acesso efectivo a tratamentos nos seus países de origem.
Estes imigrantes são pobres, excluídos e por vezes até discriminados. Mais de 40% têm alojamento precário sendo que 11% vivem na rua.
A partir da análise deste relatório verifica-se que das 835 pessoas de 85 nacionalidades inquiridas, duas em cada dez pessoas consideram o seu estado de saúde como mau ou muito mau. Das doenças identificadas nos imigrantes em situação irregular, muitas são de origem ostearticular, digestiva, psíquica e ginecológico no caso de algumas mulheres.
Do estudo resulta ainda a constação que, em certos países da Europa, a questão da saúde é tratada de maneira pouca clara e confusa. Fala-se de direitos e deveres mas na prática pouco acontece e os imigrantes residentes nestes países são quem mais se ressente dessa situação.
De um modo geral, na maioria dos países europeus, as pessoas não estão informadas dos seus direitos. Por exemplo, um número elevado de pessoas desconhece que pode beneficiar gratuitamente do teste de despistagem da sida e apenas uma minoria sabe que os seus filhos podem beneficiar da vacinação de uma forma gratuita. Neste âmbito é a França que apresenta o melhor nível de informação devido às campanhas realizadas sobre o assunto junto dos imigrantes. Em Portugal, o direito à saúde está garantido pela constituição, sendo que os cuidados são acessíveis a todos nos centros de saúde e nos hospitais públicos mas 65% dos indivíduos que participaram no estudo dos Médicos do Mundo desconhecem que o teste de despitagem da sida é gratuito.
Para muitos desses indocumentados, o direito de acesso aos cuidados da saúde não significa que as pessoas o conheçam e usufruam deste direito na realidade. Apenas 24% de todas as pessoas que foram questionadas beneficiam realmente de cobertura de saúde.
Este inquérito permitiu constatar que, é em Espanha que as pessoas são melhor informadas do seu direito de beneficiar de uma cobertura de saúde, enquanto na Bélgica e em França esses direitos são desconhecidos.
Texto: Surraia Correia

Thursday, October 18, 2007

História nº 3: O Filho do Lenhador


Ilustração: Ruben Oliveira
Era uma vez um lenhador que sempre que ia buscar lenha à floresta trazia ao seu filho um coração de lobo para ele para comer. E todos os dias o filho ficava à espera do pai para comer mais um coração. Ilustração: Ruben Oliveira
Certo dia, o pai saiu para ir buscar lenha e deixou o filho com a mãe em casa. O menino ficou cheio de fome e começou a chorar pois o pai nunca mais chegava. Enquanto passeava pela aldeia o lobo ouviu uma criança a chorar e foi ver. Bateu a porta e perguntou:
-Porque é que o seu filho está a chorar? Tem fome?
A mãe aflita, sem saber o que fazer, já que o seu filho estava habituado a comer todos os dias um coração de lobo, respondeu dizendo.
-O meu filho está a chorar porque o pai costuma trazer coração de lobo para ele comer sempre que volta da floresta.Ilustração: Amari João
Então o lobo com medo que a mãe o matasse também para conseguir um coração e acalmar o filho respondeu rapidamente, fingindo que era uma gazela:
- Bem, é melhor a gazela do mato, que é toda pintada, fugir.
E assim, o lobo conseguiu escapar porque se fosse reconhecido a mãe do menino poderia matá-lo para poder alimentar o seu filho.Ilustração: Ruben Oliveira
Esta história foi contada pelo Carlinhos, um menino guineense de 9 anos, que vive nos Terraços da Ponte mas, que ao fim-de-semana, fica em casa da Tia Dada.

Thursday, October 11, 2007

Encontros informais com pais no À Bolina

No âmbito do estágio académico de Carla Mendonça, aluna do 3º ano do Curso de Serviço Social da Universidade Católica, estão a decorrer desde Julho encontros informais com um grupo de pais de crianças que frequentam o apoio escolar do À Bolina. Até à data realizaram-se 4 sessões que tiveram como objecto de debate temas relacionados com a escola, nomeadamente: constituição do grupo de debate e reflexão, segurança escolar, comunicação entre a escola e a família e dificuldades de aprendizagem. Nestas sessões informais ao grupo de pais são propostos os temas que vão sendo debatidos com uma participação intensa de todos ao nível da apresentação das dificuldades que sentem e das soluções que pensam mais adequadas para a resolução ou minimização das questões/problema.
Para cada sessão é realizada pela Carla uma pesquisa temática e entrevistas com técnicos especialistas nas temáticas a abordar, sendo regra das sessões de debate que terminem com uma síntese dos pontos discutidos e das soluções apresentadas sendo enquadradas na pesquisa prévia efectuada.
No próximo dia 16 de Outubro, às 20H00, na sala de apoio escolar do À Bolina, realizar-se-á mais uma sessão subordinada ao tema “Percursos Escolares” que, como é habitual, terminará com um lanche convívio entre todos os participantes.

Testemunhos de descendentes de imigrantes em livro do ACIDI

Decorreu na Biblioteca da Assembleia da República, no dia 24 de Setembro, o lançamento do livro “Descendentes de Imigrantes – Um Lugar na Sociedade Portuguesa. Na sua apresentação nestiveram presentes o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, o Ministro da Presidência do Concelho de Ministros; Pedro Silva Pereira e o Alto Comissário para a Imigração e o Diálogo Intercultural, Rui Marques.
São doze jovens descendentes de Imigrantes que quiseram partilhar a sua história e pretendem ilustrar um pouco o que tem sido a sua vida numa sociedade em que ainda se fala em integração dos imigrantes.
Um desses jovens autores é Nuno Santos, mais conhecido por Chullage pela sua actividade como rapper, que, filho de pais cabo-verdianos, considera importante participar.” É sempre importante dar voz a um instrumento deste tipo, que pode chegar a diferentes esferas da sociedade para que conheçam assim diferentes perspectivas acerca dos imigrantes”. Chullage é apenas um dos muitos jovens descendentes de imigrantes que ao longo das suas vidas foram vencendo obstáculos colocados pela sociedade portuguesa. “Apesar das barreiras que surgem, é preciso construir um caminho e é bom que isto seja visto lá fora”.
Para este jovem, o percurso de cada pessoa é simbólico sendo que todos os passos que se dão fazem sentido. “Cada um tem que pôr o seu tijolo, a sua marca pessoal”, assume o músico que, tanto como os outros autores, agradece a oportunidade de poder colaborar nesta iniciativa. É com orgulho e satisfação que todos falam um pouco de si, dando a cara para este livro que esperam que sirva de modelo para acabar com algumas ideias erradas que a sociedade criou em relação aos imigrantes e seus descendentes.
Texto de Surraia Correia
Foto: ACIDI

Wednesday, October 10, 2007

História nº2: Chibinho e o Lobo

Havia um Lobo que era muito guloso. Quando saia à procura de comida achava sempre que o que encontrava era pouco e não ia satisfazê-lo. O seu sobrinho, Chibinho, era o oposto: comia tudo o que encontrava pelo caminho. Certo dia, o Lobo, que viu o Chibinho muito gordo, disse-lhe: “Chibinho, o que andas a comer para ficares assim tão gordo? Tens que me dizer”. O Chibinho respondeu-lhe que comia tudo o que ia encontrando pela estrada e por isso estava tão gordo. Combinaram então sair juntos para procurar comida. Enquanto passeavam, o Lobo continuava a achar que tudo o que ia encontrando pelo caminho era pouco e por isso não apanhava. Ele queria algo que o satisfizesse já que era muito comilão. Quanto ao Chibinho foi comer figos numa figueira que tinha encontrado durante os seus passeios.
Um dia o Lobo chamou o Chibinho e, armado em esperto, pediu-lhe que lhe tirasse uma coisa entre os dentes que o estava a incomodar. Quando o Chibinho pegou numa agulha, o Lobo gritou bem alto: “Chibinho não, isso não, que uma ponta de agulha matou a minha avó”. Então, o Chibinho foi buscar um espeto e assim que o Lobo viu gritou novamente: “Isso não, que matou a minha mãe”. O mesmo sucedeu com o alfinete pelo que o Chibinho decidiu tentar usar a própria mão para ver se assim já conseguia ajudar o tio. Mal colocou um dedo na boca do Lobo, este agarrou-o, fechando a boca. Faminto, o Lobo disse que só o soltaria se o Chibinho o levasse ao sítio onde costumava comer. Este assustou-se muito e pediu ao tio que o soltasse enquanto iam mas o Lobo não aceitou pois ele era muito malandro e fugiria. Sem opção, o Chibinho levou o tio à figueira onde costumava comer. Ai chegados, o Chibinho pediu ao Lobo que o soltasse, o que este aceitou. A figueira tinha muitos frutos e o Chibinho disse: “Rema abaixo”. A árvore fez descer os ramos e ele comeu até ficar com a barriga cheia. Vendo isso, o Lobo, em vez de dizer o mesmo, disse: “Rema acima”. A árvore subiu os ramos com ele pendurado num dos ramos, pelo que ficou muito alto. Sem se importar, o Lobo foi comendo enquanto o Chibinho, que já estava satisfeito, foi para a sua horta onde cultivava muitas coisas boas. Quando voltaram a encontrar-se, o Lobo perguntou ao Chibinho por onde tinha andado e este respondeu que tinha estado na sua horta. Quando o levou lá consigo, o Lobo mandou-o embora dizendo que o Chibinho não sabia tratar das plantações. Triste, o Chibinho foi-se embora. Um dia resolveu vingar-se do seu tio e levou-o a subir um rochedo. À medida que iam subindo, Chibinho ia enganando o Lobo dizendo-lhe que ali havia um monstro com os olhos arregalados. Este, todo assustado, correu rapidamente para chegar ao cimo do monte onde, sem se aperceber, caiu de costas e morreu. Satisfeito, o Chibinho desceu e foi à sua vida.

História contada por Dona Lorença, cabo-verdeana de 78 anos de idade, residente no Bairro da Quinta da Serra. Ilustrações feitas sobre canudos de suporte de papel higiénico por Eduarda Mendes (Lobo e Chibinho à procura de comida; Lobo e Chibinho com agulha), Carla Lopes (Lobo a morder o dedo do Chibinho; Chibinho e Lobo a caminho da figueira), Catarina Varela (Lobo na figueira, Lobo e Chibinho na horta), Moisés Mendes (Lobo em cima da rocha, Lobo morto).

Wednesday, October 03, 2007

COCAI reúne pela primeira vez na Assembleia da República

A sala do Senado da Assembleia da República acolheu no dia 24 de Setembro, pela primeira vez, uma Reunião Extraordinária do Conselho Consultivo para os Assuntos de Imigração (COCAI). O convite para que este encontro tomasse lugar num espaço de tão grande representação do sistema democrático português, veio do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que fez questão de estar presente na abertura da reunião.
Após enaltecer este marco histórico no parlamento português, o Alto-comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rui Marques deu por aberto o início do debate da primeira sessão. O tema foi a Participação Política dos Imigrantes – Desafios à sociedade de acolhimento e aos imigrantes. O ex - Comissário europeu, António Vitorino, falou da participação política na União Europeia referindo que não obstante algumas falhas, os casos europeus devem ser exemplares para o país.
O coordenador da Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades Imigrantes (PERCIP), Paulo Mendes comentou positivamente com o À Bolina as intervenções da manhã e considerou interessantes as perspectivas de cada orador em relação a participação política dos imigrantes.

Direito a participar

O representante do Partido Popular, Nuno Magalhães lembrou que o importante é de facto a participação cívica e não política. Referiu ainda, que o direito ao voto deve ser exercido mas com regras claras. “A participação política não é somente o exercício do voto, constitui ainda um pluralismo político”, afirmou. O Bloco de Esquerda, representado pela deputada Ana Drago, frisou que os imigrantes já se integraram e que agora falta que participem na vida política, votando por exemplo nas legislativas. Celeste Correia, em representação do Partido Socialista, defendeu um direito igualitário nas eleições autárquicas, sublinhou que o seu partido fez muito para resolver os problemas dos imigrantes e que não lhes foi permitido fazer mais devido aos vetos dos outros partidos.

COCAI, instrumento de participação política

“Esta reunião já demonstra em si a participação dos imigrantes na sociedade portuguesa.” Foi com esta afirmação que o Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira, iniciou a sua intervenção no encerramento deste encontro. Pedro Silva referiu ainda que debates deste tipo permitem avançar para novos desafios há medida que se vão resolvendo problemas anteriores. Destacou, neste âmbito, a aprovação da lei da nacionalidade que, ao facilitar a aquisição da nacionalidade portuguesa, tem tido grande adesão por parte dos imigrantes. Considerou ainda que o COCAI é um instrumento de participação dos imigrantes pois “representa em si o centro de processo de participação política”. É pela via do COCAI que o governo intervém, mesmo que indirectamente nas associações locais dos imigrantes, pelo Programas Escolhas e pela Rede UNIVA que tem actuado como uma forma de integração dos imigrantes.
Texto de Surraia Correia

Tuesday, October 02, 2007

História nº 1: Cabra Gazela

Ilustração Iolanda Fernandes

Havia uma cabra que tinha sete chifres e três cabritos. Sempre que ia ao monte comer ervas recomendava aos seus cabritos para que, enquanto estivesse fora, não abrissem a porta a ninguém excepto a ela. Quando regressava a casa a cabra vinha com o peito cheio de leite e ervas enroladas nos chifres para alimentar os seus filhos.
Um dia, quando a Cabra foi ao monte, o Lobo foi a casa da cabra fingindo que era a mãe dos cabritos e eles abriram-lhe a porta. O Lobo perguntou aos cabritos se estavam sozinhos em casa e eles responderam que sim.
Ilustração Alina Moreira

Quando os cabritos perceberam que não era a mãe deles ficaram muito assustados e o Lobo, tentando ser simpático, aproximou-se dos cabritos dizendo-lhes para não ficarem com medo pois ele era como se fosse a mãe deles. Por fim, acabou por comê-los todos. Quando a Cabra regressou bateu à porta, não ouviu os seus filhos a chorar e percebeu que não estavam lá e que tinha acontecido alguma coisa. Entretanto o Lobo, todo vaidoso, foi ter com o seu sobrinho Chibinho, e disse-lhe que tinha conseguido enganar a Cabra porque tinha comido os seus três cabritos e que quando ela voltasse não ia encontrar ninguém em casa.Ilustração Ana Sofia Lopes

Mais tarde, a Cabra foi ter com o Chibinho e explicou-lhe o que aconteceu. Pediu ajuda ao seu amigo para descobrir quem lhe teria feito aquilo. O Chibinho contou-lhe que tinha sido o Lobo a comer os cabritos. A Cabra pediu então ao Chibinho para a ajudar a recuperar os filhos. Este teve a ideia de fazer uma festa na casa do compadre dele para ajudar a apanhar o Lobo.Ilustração Ana Sofia Lopes

Rapidamente organizaram uma festa e o Chibinho disse à Cabra para ir vestida com sete saias, sete blusas e sete lenços na cabeça e que também ia dizer ao Lobo para vestir sete calças, sete camisas e sete chapéus. Todo vaidoso, o Lobo aceitou o convite e mostrou-se muito animado com a festa.

No dia da festa, no meio de tanta dança, a Cabra aproximou-se do Lobo e começou a cantar:

"Maria, Maria, tua mãe, Madalena, sai fora e vem me tirar leite desta mama e as ervas dos chifres".Ilustração Ana Francisca Lopes

O Lobo, também vaidoso e a dançar, cantava dizendo que tinha conseguido enganar a Cabra porque comeu os três filhos dela. À medida que o Lobo e a Cabra cantavam iam-se despindo. O Lobo ia tirando uma a uma as calças e as camisas e o chapéus enquanto a Cabra ia tirando as sete saias, sete blusas e sete lenços. Notando que ela tinha uma figura estranha, o Lobo começou a perguntar porque é que ela tinha os pés daquela maneira e tanto cabelo. A Cabra respondeu que os seus pés eram mesmo assim e que realmente tinha muito cabelo. A Cabra continuou a dançar e a cantar. Quando o Lobo percebeu que era mesmo a Cabra tentou fugir, enquanto esta o ia atacando com os chifres. Disse ao Chibinho para lhe abrir a porta porque estava aflito para ir fazer chichi e cócó. O Chibinho respondeu que não podia abrir a porta porque não tinha as chaves e que tinha deitado fora tal como o Lobo lhe tinha pedido quando estava muito animado com a festa. A verdade é que o Chibinho tinha fingido atirar a chave fora e o que mandou foram pedaços de um caldeirão de ferro. Enquanto isso, a cabra continuava a dar chifradas na barriga do lobo até que conseguiu arrebentar a barriga do Lobo e os cabritos saíram logo para alimentar-se no peito da mãe. O Lobo ficou todo aberto no chão e morreu enquanto a Cabra foi para casa muito contente com os seus filhos.Ilustração Vilma Sanhá

Narrada por D. Maria, a avó do Zeca Semedo, em crioulo de Cabo-Verde, e traduzida em português pela D. Antonieta.

Friday, September 28, 2007

Kotalume na Zé dos Bois

Após a participação no CD de hip hop "9 Bairros, 9 Sons", Kotalume (nome artístico de Adilson Moreno) apresenta-se amanhã, dia 29 de Setembro, pelas 23h, na Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto. Os N'Gacas e Ritchaz&Kéke também subirão ao palco, trazidos pela produtora Filho Único que, na sequência da apresentação pública deste projecto - uma parceria da Fundação Calouste Gulbenkian com o Escolhas e a Enchufada no âmbito do Fórum Cultural O Estado do Mundo - se interessou pelos músicos.

Friday, September 21, 2007

A festa de reabertura do Apoio Escolar

No dia 19 de Setembro de 2007, houve uma inauguração. Às 18h abriram a porta do Apoio Escolar.
Algumas pessoas levaram lanche e prepararam as coisas.
Todos jogaram a bola, correram, saltaram a corda e brincaram às escondidas …
Às 18h30 já estava tudo preparado e todas as pessoas entraram na sala do Apoio Escolar. Foram todos para a mesa e a Ângela e a Catarina perguntaram: Quem já lavou as mãos? Ninguém tinha lavado as mãos, depois todas as pessoas foram lavar as mãos e voltaram para a mesa.
Comeram e tiraram fotografias.
Quando tudo acabou todos foram brincar para o pátio. A Francisca foi varrer, a Ângela e a Catarina ajudaram algumas pessoas a estudar e os outros estavam a dançar. A Dona Maria de Lourdes passou o pano.

Texto de Alessandro Silva

Thursday, September 20, 2007

Médicos do Mundo apresentam Relatório sobre Acesso à Saúde

Decorrerá no dia 25 de Setembro, pelas 10h, na Faculdade de Ciências Sociais, o lançamento do Primeiro Relatório de Acesso à Saúde elaborado pelos Médicos do Mundo. Este lançamento conta com a presença do presidente dos Médicos do Mundo – Portugal, Rui Portugal e o Alto Comissário para a Imigração e Dialogo Intercultural, Rui Marques. Na sequência deste lançamento, nos dias 27 e 28 deste mês, terá lugar em Lisboa a conferência “ Saúde e Migração na UE “ com os ministros da saúde, membros da União Europeia.
Aos ministros serão apresentadas 25 boas práticas no âmbito da migração e cuidados de saúde. Nelas consta o inquérito realizado pelos Médicos do Mundo sobre o acesso aos cuidados de saúde dos imigrantes em situação irregular. Nesta primeira amostra deste inquérito focou-se os imigrantes e em particular os que se encontram em situação irregular. Foram ainda analisadas situações como a recusa de tratamentos, atraso no acesso aos cuidados de saúde e o facto de alguns imigrantes recearem ser detidos.
Os resultados apresentados sobre os imigrantes em situação irregular são inéditos, uma vez que, previamente, não existiam estudos deste teor, nacional e internacionalmente. Estes estudos realizaram-se em sete países europeus: Bélgica, Espanha, França, Grécia, Itália, Portugal e o Reino Unido. Os Médicos do Mundo pretendem reclamar acesso igual aos cuidados de saúde para todos os que vivem na Europa além de uma regulação ao acesso à saúde para estrangeiros gravemente doentes que não têm acesso efectivo a tratamentos nos seus países de origem.
Texto: Surraia Correia

Tuesday, September 18, 2007

Contos tradicionais ditos por gente com histórias de vida real

Numa iniciativa que visa a fixação dos contos tradicionais transmitidos oralmente de avós e pais para netos, o projecto À Bolina iniciou a recolha dos mesmos junto aos habitantes do Bairro da Quinta da Serra – oriundos predominantemente de Guiné e Cabo Verde. A primeira destas histórias, da “Cabra Gazela”, foi-nos contada pela Dona Maria, uma cabo-verdeana de 72 anos, avó do Zeca e do Zé Maria Semedo. Uma extraordinária contadora de histórias, Dona Maria só fala crioulo e guarda memórias de histórias reais, passadas com as gentes que viveram a fome que, em 1947, motivou grandes deslocações de famílias em Cabo Verde. Surraia Correia e Maria do Carmo Piçarra são as responsáveis pela recolha em que, além da Dona Maria, já participou a Dona Lorença e o marido, Tomás.
Foto retirada de metaforas.com.br

Amílcar Cabral: mini-retrato do grande líder africano


“Vivo intensamente a vida e dela extraí experiências que me deram direcção, uma via que devo seguir, sejam quais forem as perdas pessoais que isso me ocasione. Eis a razão de ser da minha vida.”

Amílcar Cabral faria hoje 83 anos. Nasceu a 12 de Setembro de 1924, em Bafatá, na Guiné-Bissau. Com um percurso político marcante, determinante para a Guiné-Bissau e Cabo Verde, Cabral juntamente com alguns companheiros de luta pela mesma causa funda o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e inicia uma luta armada contra o Estado Português revelando o seu descontentamento contra o sistema colonial.
Amílcar Cabral é assassinado em Conacri. A sua morte desencadeia ódios e paixões entre africanos e europeus.

Texto de Surraia Correia
Foto retirada no site vidaslusofonas

Friday, August 31, 2007

Kotalume no «9 Bairros, Novos Sons»

Já pode ser vista no You Tube a actuação de Kotalume na apresentação do CD de Hip Hop "9 Bairros, Novos Sons", que teve lugar no anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito da iniciativa "O Estado do Mundo". Kotalume representou o projecto À Bolina num disco gravado após uma selecção de músicos/bandas sugeridos pelos projectos Escolhas da Área Metropolitana de Lisboa.

Wednesday, August 29, 2007

Pensar o futuro a curtir

Durante muito tempo perguntei-me se seria possível curtir a vida como vejo muitos jovens da minha geração a curtir e ao mesmo tempo ir planeando o meu futuro. Esta é uma pergunta sem resposta com a qual me interrogo até hoje. Posso curtir, namorar, sair para noitadas, passar horas nos centros comerciais a comprar roupas e depois lanchar, é claro, com o dinheiro de um “amigo” ; ou então simplesmente dedicar-me aos estudos, trabalhar para pagar as despesas escolares. Queria fazer as duas coisas ao mesmo tempo, mas cedo me apercebi que esta junção não seria de todo uma escolha acertada. Quando falava com as minhas amigas, dizia-lhes que se calhar eu estava a perder os melhores momentos da minha juventude, que nunca ia conseguir um namorado fixe. Ao mesmo tempo pensava que, depois de tanto estudo para depois não conseguir emprego, que futuro tinha eu construído?
Hoje sei que estas interrogações fazem parte das dúvidas e incertezas que nos atormentam enquanto somos jovens. São aquelas fases de querer experimentar tudo, ser reconhecida por alguns rapazes (aqueles por quem temos um certo fraquinho ou gostamos), enfim curtir. Contudo, hoje sei que pela minha parte essa curtição foi sendo feita com moderação que sabia parar quando estava a ir longe demais. Isto foi possível graças ao modelo de liberdade que me era imposto dentro de casa- e não que os meus pais fossem super controladores. Eles sempre me deixaram sair mas com limites e nunca me impuseram horários, eu é que sabia a hora certa para voltar.
Afinal, hoje sei que aquelas interrogações eram precisas e necessárias para que eu não fosse por outros caminhos, sem futuro nenhum e a envelhecer à porta das discotecas. Também não estaria aqui a escrever estas linhas.

Surraia Correia

Renascer é preciso

Há momentos na vida em que tudo nos corre mal. O pensamento mais frequente é logo "porque é que só nos acontece a nós?". No início deste ano a minha mente estava focada neste tipo de pensamento. Depois do nascimento do meu filho, comecei a sentir um cansaço psicológico de tal maneira que isso se reflectiu nos números das roupas que vestia.
Desempregada, eis que na festa de Natal oiço falar de um projecto de nome À Bolina que vai começar a trabalhar mesmo dentro do bairro, em frente à minha casa.
Dirigi-me a eles e apresentei-me como uma possível colaboradora, pois na apresentação das actividades que pretendiam desenvolver no bairro incluía-se a edição de um jornal on-line.
O meu ânimo começou a renascer e tudo porque fui bem recebida, pessoas simpáticas e jovens.Desde Logo colaborei com alguns trabalhos que me foram pedidos.Após meses com a sensação de ser uma inútil, percebi que afinal sou prestativa e posso aprender muito com esta minha participação neste projecto. Actualmente estou a realizar um estágio profissional no À Bolina. Sim, porque ainda não tinha conseguido fazer nenhum na minha área que é comunicação social.
Afinal, na vida é preciso passar por alguns momentos stressantes para depois renascer. Conclui que as fases menos boas da nossa vida não são para ser levadas como um caminho sem regresso ou só nos vamos afundar ainda mais. Percebi que são momentos pelos quais temos que passar e o mais importante é saber aceitar esta fase para lutar e vencer. É preciso que nos ergamos quando estamos a perder forças. Mesmo que não nos dêem apoio, o importante é viver cada dia com força, para no dia seguinte vencer indo sempre à luta.
Esta força vinha sempre à noite, quando olhava para o meu filho a dormir- só nós os dois no quarto- e dizia para mim: "Preciso de forças para poder criar o meu filho e vê-lo crescer".

Surraia Correia
(Foto http://profs.ccems.pt/OlgaFranco/geologia.htm)

Monday, August 27, 2007

À Bolina é projecto Escolhas da semana



Além de uma entrevista ao coordenador do À Bolina, inclui pequenos textos informativos e fotos. Veja em http://www.programaescolhas.pt/modules.php?name=Projectos&op=show_projotw_interview&projotweek_id=120

Os desenhos do Junilto

Galeria de Desenhos


Clicar na imagem para ver a galeria de desenhos

Wednesday, August 22, 2007

Nova lei de estrangeiros entrou em vigor

Entrou em vigor desde o dia 3 de Agosto, a nova lei de Estrangeiros. Esta lei, além de muitas outras vantagens, favorece a imigração legal.Os vistos de trabalho, vistos de estudo, prorrogações de permanência passam todos a ser um único título: Autorização de Residência. Por exemplo, mesmo que uma mulher e o seu filho tenham vindo para Portugal com o visto de turistas, o seu companheiro que já reside no país pode fazer o reagrupamento familiar se assim desejar. Se uma criança e os seus pais estiverem ilegais, estando ela a frequentar o ensino básico, podem pedir a autorização de residência para a família.
Um novo estatuto é o visto de longa duração, isto é, é concedido este tipo de visto à aqueles que residem legalmente há cinco anos e que para além de um conjunto de direitos, têm o direito de circularem no espaço europeu e de aí se fixarem.


Texto: Surraia Correia

Monday, August 20, 2007

Eliana na revista Escolhas


A Eliana também saiu, numa foto enorme da revista Escolhas, a ilustrar um artigo do Alto Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rui Marques, sobre "Heróis Anónimos".

E a Eliana também teve direito a cinco minutos de fama...

Warhol também fotografou o Fábio

Sorriso do Fábio faz capa na Escolhas



Ai fica a imagem de mais um menino - e do seu sorriso - do Bairro da Quinta da Serra, capa da revista de Escolhas de Agosto.

Retrato da jovem líder africana


A Floresbela Mendes Pinto, presidente da Associação Sócio-cultural da Quinta da Serra

David Melo contra ventos e marés

A equipa de comunicação À Bolina


Depois de novo assalto no CID@NET - e sem computadores para trabalhar - a equipa de comunicação pensa "quando é que o vento sopra um bocadinho a nosso favor?"

Wednesday, July 04, 2007

Entrega de prémios dos Dias de Imagens



Realizou-se a 1 de Julho, nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, a entrega dos prémios da maratona fotográfica "Dias de Imagens", organizada pela fundação em parceria com o ACIDI ( Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural). Esta iniciativa ocorreu no âmbito do fórum cultural designado “O Estado do Mundo”, através do Programas Escolhas, que seleccionou 16 projectos à escala nacional para participar, e com o apoio da Embaixada Lomográfica, entidade que cedeu as Lomo. Com esta maratona pretendeu encontrar-se uma relação de proximidade com as várias comunidades imigrantes em Portugal.
O concurso quis revelar as relações que as crianças - públicos-alvo dos projectos - têm com os espaços onde passam a maior parte do seu tempo. Lugares como a escola , os bairros, além das escapadelas que dão, inspiraram as magníficas fotografias expostas. O À Bolina participou com as aventuras do dia-à-dia do Miguel, um rapaz de 12 anos, que ficamos a conhecer através dos relatos feitos pelas suas colegas da escola e vizinhas, Alina e Ana Francisca, e por um amigo, o Silvino. O resultado pode ser conhecido em miguellomo.blogspot.com.
Miguel Honrado, que organizou a exposição, diz que esta é a parte mais visível do Dias de Imagens, sendo original pois é reveladora do envolvimento da comunidade imigrante. Sobre os trabalhos apresentados, Honrado confessa ter ficado bastante surpreendido, gostou da criatividade e sobretudo da maturidade revelada pelas crianças. Sendo um tema aberto, isto permitiu "um maior empenho e profundidade na abordagem aos problemas do quotidiano" dessas crianças, além de ser uma forma de aproximar das realidades fixadas as pessoas que costumam passear nos jardins da Gulbenkian. "É uma tentativa de aproximação destas realidades que provavelmente muitos desconhecem", reafirma Miguel Honrado com enorme satisfação pelos resultados obtidos com o trabalho dos vencedores e dos outros participantes.

Os resultados foram aplaudidos pelos visitantes e participantes que estiveram presentes naquele fim de tarde. Os outros concorrentes receberam todos um certificado de participação.

1º lugar: Percursos Alternativos (Benedita) Trio Fantástico
2º lugar:@ventura (São Brás de Alportel) Nesaga
3º lugar ex-exequo: A Priori (Sines) Os Vasquinhos e
Anós kita Manda-Bairro 6 de Maio
Menção Honrosa: Arte na Rua (Porto) Pintar o futuro

Brincadeiras sem fim no Oeiraskids

O passeio ao Oeiraskids, no passado dia 3 de Julho, foi esperado com muita expectativa e energia pelos meninos do À Bolina. O espaço, junto ao Oeiras Parque, está equipado para que crianças dos cinco aos doze anos possam realizar actividades de animação e outras lúdico-pedagógicas além de diversão com insufláveis. Oferece ainda um programa de férias destinadas as escolas e ATL`s.
Chegado o dia as crianças que tiveram a oportunidade de ir passar uma tarde de brincadeiras, a convite da proprietária, Sara Ribeiro, aproveitaram até ao limite as actividades propostas pelo espaço. Animadas e super agitadas, as raparigas saltaram de jogo em jogo e fizeram várias brincadeiras. No karaoké, a Vilma, revelou-se uma cantora afinada além de conhecer bem as letras das músicas. Quando o Hugo, um dos animadores do espaço, pôs o CD da Floribella as outras meninas soltaram a voz, cantando com muita garra e com gestos. Já o Alessandro, ficou de pé a olhar, mas depois teve o seu momento de diversão quando as raparigas finalmente o deixaram jogar um jogo de futebol com o Hugo na Playstation.
Depois de tanta brincadeira e apesar de pouca vontade, lá tiveram que fazer uma pausa para lanchar, uma gentileza do OeirasKids.
A notícia de que chegou a hora de regressar não foi nada fácil de ouvir. O grupo não queria parar de brincar e lamentava o facto de ter ficado pouco tempo. No fim já só pensavam na próxima vez que voltariam a ter esta oportunidade para brincar num espaço a que não estão habituados. É que brincadeiras deste tipo só mesmo fora do bairro, queixavam-se as crianças.
Texto: Surraia Correia

Valorsul sensibiliza crianças da Quinta da Serra


No âmbito das visitas das férias de Verão do À Bolina, a Rita, estagiária do GARSE (CML) levou um grupo de meninos da Quinta da Serra à Valorsul para sensibilizá-los sobre questões do ambiente.A empresa, inaugurada em 2000 pelo Primeiro Ministro José Sócrates, é responsável pelo tratamento e valorização de resíduos sólidos urbanos.Com instalações apropriadas e bem equipada para o tipo de trabalho que desenvolve, a sua missão consiste em tratar os lixos através de um sistema tecnológico moderno e com uma gestão integrada que se adequa quer ao aumento crescente quer à diversidade dos resíduos urbanos.
Durante todo o percurso da visita às instalações, as crianças observavam atentas as máquinas a trabalhar e sem nunca deixar de ouvir o guia que falava acerca da importância da separação dos lixos. Aliás, o início de todo o tipo de trabalho de reciclagem é uma tarefa que se deve iniciar nas nossas casas, relembrava, sempre que possível, o técnico da Valorsul.
Diariamente, esta central de valorização eléctrica trata cerca de 2000 mil toneladas de lixos não separados, provenientes da zona da Amadora, Lisboa, Odivelas, Loures e Vila Franca de Xira. À Plataforma de Descarga, onde o lixo é despejado antes de seguir para os fornos, chegam por volta de 600 veículos todos os dias. Na Valorsul não é feito nenhum tipo de separação de lixo, daí a importância da sensibilização para o cuidado na separação em casa.
Segundo o guia da Valorsul, cada pessoa produz pelo menos, um quilo e trezentas gramas de lixo por dia. Não devemos olhar os lixos produzidos como simples materiais sem utilidade possível mas ter em conta que podem ser reciclados e reutilizados para diversos fins. Aquilo que já não tem valor para muitas pessoas pode ser transformado em energia eléctrica. numa caixa de cartão, garrafa de vidro ou um fertilizante agrícola. Por isso a Valorsul, que funciona 24 horas por dia, pretende sensibilizar e educar as pessoas no que se refere ao tratamento a dar aos lixos, além de ter como função principal preparar os materiais para serem enviados para a indústria da reciclagem. Para conseguir uma maior qualidade de vida e um planeta mais limpo é preciso separar mais e melhor, foi este o conselho deixado pelo guia da visita.
As crianças regressaram para o bairro pouco convencidos sobre o trabalho desenvolvido pela Valorsul, até porque para eles a ideia de protecção do ambiente passa somente pela separação do lixo com a ajuda dos ecopontos. Mas prometeram que vão começar a preocupar-se mais com este tipo de assunto.

Texto: Surraia Correia