No passado dia 23 de Maio, o projecto À Bolina recebeu a simpática visita do Alto Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rui Marques, e da directora do CNAI, Francisca Assis Ferreira. Além da visita às instalações - às salas onde funcionam o apoio escolar, a ocupação de tempos livre e o CID@NET, a UNIVA e a Lojinha do Cidadão, além da parte administrativa do À Bolina, em que Rui Marques e Francisca Assis Ferreira foram guiados pelo coordenador José da Costa Ramos, foi feita a apresentação do blogue do projecto A Voz da Quinta, e de alguns blogues dinamizados no âmbito da criação da comunidade Rua do Mundo.
Friday, May 25, 2007
Visita de Alto Comissário ao À Bolina
No passado dia 23 de Maio, o projecto À Bolina recebeu a simpática visita do Alto Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rui Marques, e da directora do CNAI, Francisca Assis Ferreira. Além da visita às instalações - às salas onde funcionam o apoio escolar, a ocupação de tempos livre e o CID@NET, a UNIVA e a Lojinha do Cidadão, além da parte administrativa do À Bolina, em que Rui Marques e Francisca Assis Ferreira foram guiados pelo coordenador José da Costa Ramos, foi feita a apresentação do blogue do projecto A Voz da Quinta, e de alguns blogues dinamizados no âmbito da criação da comunidade Rua do Mundo.
Monday, May 21, 2007
Indira
Rua do Mundo
Wednesday, May 16, 2007
A Quinta da Serra e o Estado do Mundo
A Fundação Calouste Gulbenkian, no quadro do fórum cultural designado O Estado do Mundo, a realizar até Dezembro de 2007 e que deverá constituir uma reflexão aprofundada sobre o estado cultural do planeta, inclui no seu calendário de actividades uma programação específica para os Jardins da Fundação durante seis fins-de-semana consecutivos, no período compreendido entre os dias 1 de Junho e 8 de Julho de 2007. Para tal, a Fundação fez uma parceria com o ACIDI (através do Programa Escolhas), procurando fomentar uma relação de proximidade com as diversas comunidades imigrantes existentes no território nacional. O À Bolina, para o projecto Dias de Imagens - uma maratona fotográfica com máquinas LOMO - ilustrará a história do Miguel, baseada no quotidiano dos jovens do Bairro da Quinta da Serra.
A equipa Polom nos Dias de Imagens
"Miguel" é um olhar na primeira pessoa sobre o bairro da Quinta da Serra. Um rapaz de 12 anos, filho de emigrantes guineenses que chegaram ao bairro antes dele nascer. Miguel descreve essa época primordial da chegada ao bairro através dos testemunhos da família. Fala-nos da terra e da saudade da Guiné. Miguel fala também das coisas boas e más que lhe aconteceram: da carga policial no campo de futebol, do dia em que o padrasto lhe ofereceu o computador, do dia a dia no bairro, na escola e na família. Progressivamente apercebemo-nos de pequenas falhas, incoerências de discurso e por trás da história de Miguel aparecem outras histórias: a de Alina, Ana Francisca e Silvino, de 12, 11 e 13 anos, que na sua “apropriação” da história de Miguel com a qual interagem acabam por nos contar as suas próprias histórias.
Tuesday, May 15, 2007
O Principezinho Junilto

A história do Principezinho tocou-me muito quando ele diz assim: "Os olhos não vêem nada mas o coração é que vê tudo." Esta frase me faz lembrar dos meus momentos passados em que eu ficava sozinho nos lugares sagrados para procurar o meu Pai, adorá-lo. Às vezes o encontrava, outras vezes não. Nem percebia porque é que isto acontecia, mas depois de ser levado ao cinema pelo Sr. Padre Carlos, ouvi esta frase despertadora. Foi ai que percebi que os momentos que procurava o meu Pai do Céu com os olhos não o encontrava porque os meus olhos olhavam para as coisas visíveis e o meu pensamento pensava nelas e dai surgia tristeza, desespero, fraqueza. Mas nos momentos em que o procuro com o meu coração, sempre o encontro porque o meu coração olha coisas invisíveis dentro de mim, encontra amor, fé, esperança - encontra estas três coisas.
Junilto Alvarenga Netchemó
A Guiné-Bissau explicada pelo Junilto Netchemo

A Guiné-Bissau é um país com uma natureza muito linda porque tem uma fauna e uma flora muito belas. A luta armada pela independência da Guiné-Bissau iniciou-se clandestinamente em 1963. Esta luta foi iniciada por um partido – o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (P.A.I.G.C). Foi fundado em 19 de Setembro de 1956 por Amilcar Cabral (Abel Djace) e mais alguns companheiros: Luiz Cabral, Eliseu Trupim, Inácio Semedo, Fernando Fortes, Júlio de Almeida e Aristides Pereira. A luta armada da independência durou 11 anos. 1973 foi a data da proclamação da independência. O primeiro presidente eleito da Guiné-Bissau, em 1994, é o João Bernardino Vieira (Nino Vieira), que continua a ser o presidente da república da Guiné.
A primeira capital da Guiné era Bolama mas actualmente é Bissau. A Guiné-Bissau está dividida nas regiões de Bolama Bijagós, Quinara, Tombali, Oio, Bafatá, Gabu, Biombo, Cacheu e região autónoma de Bissau. Estas regiões estão sub-divididas em três províncias Norte, Sul e Leste. Eu gosto tanto dessa terra, particularmente das matas, das águas, praias, ervas medicinais e danças tradicionais. Todas essas coisas fazem parte do maravilhoso ambiente da Guiné-Bissau.
Friday, May 11, 2007
A vida do Silvino no bairro

Eu gosto do meu bairro porque nasci aqui. Cá tenho a minha família, tenho o apoio escolar e tenho todos os meus colegas e amigos. Vivo aqui porque é um bairro agradável e muito bom. Todas as pessoas que vêm ao meu bairro, falam muito bem dele. Aqui tudo começou quando o meu pai, que nasceu em Cabo-Verde, teve de vir trabalhar para Portugal-Prior Velho. Passados alguns anos, a minha mãe também veio viver para Portugal. Um dia a minha mãe ficou grávida de mim e, após nove meses, eu nasci. Passados alguns anos, nasceu a minha irmã, com um problema no fígado. Há uns anos atrás a minha mãe e a minha irmã queimaram-se com água quente e a minha irmã ficou cinco meses internada. Quando ela saiu a minha foi internada logo de seguida e, enquanto ela esteve no hospital, eu e os meus irmãos ficámos com a minha outra irmã mais velha. Quando a minha mãe saiu do hospital, eu entrei para a quarta classe. Neste mesmo ano, eu fui à minha terra natal, que é na ilha da Praia, passei dois meses em Cabo Verde e fiz lá os 13 anos. Foi muito fixe!
E então a minha vida também não é fácil.
Silvino Tavares Semedo
Turma: 5ºE
Escola E,B - 2,3 Bartolomeu Dias
Thursday, May 03, 2007
O projecto À Bolina pela Ana Francisca
"Na Quinta da Serra existe um projecto que se chama À Bolina. È lá que estão inscritos mais de metade dos meninos da Quinta da Serra e passam o tempo a fazer os trabalhos de casa, a brincar e a divertir-se. Este projecto está a decorrer desde Dezembro. Este projecto serve para os alunos recuperarem as notas e até já recuperaram imensos alunos desde que começou. As monitoras, Catarina e Ângela, e também o Bernardo trabalham muito por isso. Comentário: Eu acho que este projecto é óptimo para um bom enriquecimento escolar."
Este trabalho foi escrito pela Ana Francisca Lopes, que frequenta o 5G, da Escola Bartolomeu Dias.
Monday, April 23, 2007
Thursday, April 19, 2007
Os pintores e a obra
Monday, April 16, 2007
Médicos do Mundo mostram "filmes à sexta"

Os Médicos do Mundo trazem o cinema à Travessa da Fraternidade, nº448, no Bairro da Quinta da Serra, todas as sextas-feiras às 16h. As sessões começaram com a exibição de Cidade de Deus mas até ao fim de Abril ainda vai ser possível ver "Kids", de Larry Clark, um filme sobre um skater seropositivo que vai tendo relações sexuais com tantas raparigas virgens quanto possível, e "Câmara de Madeira", sobre as escolhas de dois adolescentes de Cape Town. Quando encontram uma arma e uma câmara de filmar, cada um deles opta por uma dela, selando assim o destino de cada. A entrada é livre.
Maria do Carmo Piçarra
O curso de pintura tal como foi sentido pelo Junilto
O curso de pintura que eu realizei foi muitissimo importante para mim. Nesse curso eu aprendi coisas muito importantes, por exemplo: pintura, utilização da tinta nas caras das pessoas e mistura das cores. Este curso foi uma grande maravilha na minha vida porque me levou a pensar que um dia serei um artista, se Deus quiser. Por isso este tocou com a minha vida. Obrigado.
Junilto Alvarenga Netchemo
Monday, April 09, 2007
Kotalume representa À Bolina no CD de Hip Hop do Escolhas

“Dor ku Fômi”, de Kotalume, é um dos nove temas, compostos por jovens de bairros de Lisboa intervencionados pelo Programa Escolhas, que integrará o CD de Hip Hop a lançar em Junho pelo Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, no âmbito de uma parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian. O músico amador foi hoje gravar, num estúdio profissional, o tema que representará o projecto À Bolina, do bairro da Quinta da Serra, no Prior Velho.
Kotalume (ou Adilson Nunes Moreno) nasceu na Praia, em Cabo Verde, em 29 de Março de 1978. Aprendeu música a ouvir o tio Tutu a tocar violão em casa, e aos 18 anos, aventurou-se a participar num concurso na “Feira Cultural da Praia” onde ficou em quarto lugar. Deixou a sua terra em 2000 para vir trabalhar em Portugal e agora é com a música – enquanto trabalha está sempre a cantar - que dá voz às suas emoções e pensamentos. E a sua experiência de vida como imigrante mudou-lhe a música. Ainda prefere funaná sobre a kizomba mas os seus funanás tradicionais cruzaram com hip hop e house. Este cruzamento, a sua facilidade em fazer rimas e a vida, dura, inspiraram «Dor ku Fômi» (crioulo cabo-verdeano para «Dor com Fome»).
Thursday, April 05, 2007
Bubu, "pintor de caras"

O Bubu só tem 5 anos mas já sabe muito bem o que quer. Quando veio pousar para ser pintado no curso de pinturas faciais da Fada Moranga já tinha os seus desenhos favoritos bem definidos: “leão, ratinho, palhaço e morcego”. Veio pintar a cara “para mostrar à minha mãe e para ficar bonito”. Sim, porque o Bubu é um vaidoso. Senão vejam como ele pousa para a fotografia… O Marcos Pina – é como se chama – gostava de aprender a pintar mas acha que só quando tíver 20 anos é que o pode fazer. Enquanto não conseguir ser “pintor de caras” vai continuar a vir ao OTL, para “brincar com jogos e fazer desenhos”.
Thursday, March 29, 2007
Wednesday, March 28, 2007
Fada Moranga faz curso de pinturas faciais no À Bolina
No dia 4 de Abril, entre as 15h e as 18h, a Fada Moranga estará no projecto À Bolina para dar a conhecer os materiais necessários e o domínio das técnicas para pinturas faciais. Este curso acontece na sequência das sessões de pinturas faciais feitas pela Fada Moranga durante o Carnaval e também no dia 26 de Março. Nessas ocasiões, a ex-maquilhadora profissional e artista plástica Maria João Catarino espalhou estrelas e pozinhos de brilhantes e fez nascer flores, núvens e até máscaras de homem-aranha nas caras dos meninos que frequentam o apoio escolar. Este curso funcionará mediante inscrição prévia e o pagamento de 1€ por cada inscrito, o qual servirá para comparticipar simbolicamente a compra de materiais.
Tuesday, March 20, 2007
Carta Aberta a um(a) Vizinho(a)

Cara Vizinha (o)
I. Estou muito triste porque roubaram os computadores do Projecto À Bolina da Associação. Roubaram os computadores dos nossos meninos e dos nossos jovens.
No princípio não quis acreditar. Sentei-me um bom quarto de hora com os olhos fechados e a acreditar que quando os abrisse, eles, os computadores, estariam lá - novinhos, bonitos e prontos para ser usados.
Até que bateram à porta. Fui abrir. Eram as meninas que voltavam da escola para perguntar se hoje podiam usar os computadores. Não sabia que responder. Olhei para trás e vi que os computadores não estavam lá. Disse-lhes que não, não podiam. Nem elas nem ninguém porque os computadores tinham sido roubados.
Há noite quando reconheci na rua as nossas crianças - as que estariam no apoio escolar - vieram-me as lágrimas aos olhos.
II. O que é que se passa connosco?
Que espécie de medo ou de inacção tomou posse de nós?
Porque não reagimos contra aquilo que nos mata?
Que nos mata a dignidade, que nos mata o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos e que às vezes também nos mata fisicamente.
Porque olhamos para o lado quando se passam coisas com as quais não concordamos?
III. A raiz de todos os males está na violência. É contra ela que temos de nos levantar. Com toda a coragem.
Quando o nosso filho, ameaçado na escola, põe uma faca de cozinha na mochila ou na algibeira, aí tudo começou. Porque contra uma faca, uma pistola e contra uma pistola, uma caçadeira. Ele vai pensar que estar sozinho é perigoso, que é preciso associar-se para se defender melhor…Vai estudar as opções mas as opções raramente são boas.
Quando o barulho que o meu vizinho faz de noite me impede de dormir e eu tenho de me levantar cedo para ir trabalhar no dia seguinte, penso dizer-lhe isso mesmo, mas fico com medo que o meu carro seja vandalizado e então calo-me.
Se o nosso filho chega a casa com um telémovel ou computador ou qualquer coisas nova e de valor que sabemos que não tem dinheiro para comprar e nos calamos porque temos medo de assumir o nosso papel de pais, porque algures se perdeu o respeito.
Se ouvimos e presenciamos toda a forma de violência doméstica e fazemos de conta que não é nada porque “entre marido e mulher ninguém meta a colher”.
Se batemos nos nossos filhos, e chamamos a isso educação, até eles terem idade e corpo para se virarem a nós e baterem-nos eles.
Quando assistimos a assaltos no bairro e viramos a cara...
Podiamos continuar...
IV. Mas o vizinho está a pensar....bom, isto é um bocado verdade mas eu meto-me na minha vidinha que não tenho nada a ver com isso.
Talvez esteja enganado.
O vizinho é PER? é não PER? Não interessa o que seja mas alimenta a ideia de um futuro melhor para si e para a sua família. Pensa muitas vezes que no dia em que deixar o bairro as coisas vão melhorar.
E se eu lhe disser que pode ir para um inferno pior se tudo ficar como está.
Senão vejamos:
O vizinho é PER, adere ao PER famílias e tem condições económicas para comprar casa onde quiser. É teórico porque o vizinho transporta consigo a imagem do Bairro de Barracas, da Violência, das Drogas da Prostituição , do Bairro onde “nem para eles são bons”. As pessoas vão estar de pé atrás. Injustiça? Talvez não porque quem cala consente. O vizinho consentiu porque calou.
O vizinho é PER mas não tem condições para aderir ao PER Famílias porque ganha pouco, o emprego é instável. Como é PER tem direito ao realojamento, mas onde? Provavelmente num bairro de realojamento onde ninguém quer viver. Os canos de esgoto não correm a céu aberto mas, às vezes o vizinho vai ter saudades do bairro. Porque é que o põem nos bairros indesejáveis? Porque visto de fora, no bairro são todos iguais, porque há as pessoas perversas e as pessoas boas que se calam.
O vizinho é Não PER, seja legal ou ilegal. Os PER já saíram do Bairro. O bairro é visto de fora um getto dominado por gangues mais ou menos (des)organizados. O que é preciso fazer, provavelmente com o apoio de todos os cidadãos eleitores dos bairros à volta, é erradicar o bairro, destruí-lo. Não preciso de explicar como isso se faz. O vizinho sabe.
Nessa altura vamos estar todos sozinhos porque estivémos o tempo todo a tratar da nossa vidinha.
V. Martin Luther King Jr. disse um dia
Teremos de nos arrepender nesta geração não tanto das acções das pessoas perversas, mas dos pasmosos silêncios das boas pessoas.
Vamos continuar parados em silêncio ou vamo-nos levantar, cada um de nós, dentro de si e em conjunto, como um corpo vivo, e dizer com coragem:
NÃO AO MEDO!
NÃO À VIOLÊNCIA!
SIM À PAZ E À JUSTIÇA!
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